História da Ostra Portuguesa

       Segundo os historiadores, as ostras, que são conhecidas como "Les Portugaises", foram originárias da Índia ou do Japão, tendo viajado para Portugal nas quilhas das naus e como alimento rico em proteínas para as tripulações, nos finais do século XVI.
        Chegados os barcos ao destino eram lançadas nos estuários do Tejo e do Sado, como se de lastro se tratasse. No entanto as boas condições naturais dos locais permitiram que aí nascesse um dos maiores bancos naturais de ostras da Europa.
       Passaram-se décadas e décadas com as duas espécies a serem exploradas em França sendo que a francesa era consumida pela alta sociedade e a portuguesa servida à mesa do povo.

Mas em 1920 uma praga atacou a ostra francesa, salvando-se as portuguesas Angulatas, mais resistentes ao vírus.

       O facto de ser um alimento popular acabou por se revelar de grande importância económica e comercial até à década de 70. Os estuários dos rios Tejo e Sado eram os maiores bancos naturais desta espécie na Europa. Ambos produziam dezenas de toneladas de ostra portuguesa, destinadas maioritariamente à exportação, sobretudo para França. 

       O elevado valor nutritivo deste bivalve e o seu baixo custo, devido à sua abundância, tornou-o num alimento comum nestas regiões, existindo muitos relatos sobre as ostras na gastronomia local de Setúbal e Lisboa, entre as quais textos do poeta Bocage e duma “sopa à lisbonense”, feita com ostra.

       A partir de meados da década de 60, a ostra portuguesa sofreu uma regressão devido à poluição industrial e a exploração massificada deste recurso. Estes factores estiveram na origem da disseminação de doenças que quase extinguiram esta espécie.

        O mercado francês continua a ter uma importância acrescida, principalmente em épocas como o Natal e a Páscoa para o escoamento do bivalve produzido de norte a sul do país, nas explorações de Aveiro, Estuário do Sado, Castro Marim, Alvor, Ria Formosa e Sagres.

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